Introdução

A beterraba é um dos ingredientes naturais mais completos quando falamos de energia, vitalidade e reforço da imunidade. Rica em betalaínas, pigmentos antioxidantes responsáveis pela sua cor vibrante, e em fibras, minerais e compostos bioativos, ela atua diretamente na circulação, na redução de inflamações e no aumento da disposição física e mental.

 

Por isso, tem sido amplamente utilizada em produtos funcionais e suplementos naturais. Na Terramazonia, ela está presente em fórmulas como Libbido, Immunne Shot e Thermo Pre-Workout, onde potencializa desempenho, defesa e vitalidade com segurança e efeito sinérgico. Neste artigo, exploramos como a beterraba se tornou um superingrediente essencial nas rotinas de quem busca saúde, força e bem-estar de forma natural.


Resumo

  • A beterraba é rica em betalaínas, pigmentos com forte ação antioxidante e anti-inflamatória.

  • Contribui para melhor circulação e aumento da biodisponibilidade de óxido nítrico, favorecendo vitalidade, libido e desempenho físico.

  • Alto teor de fibras, que auxiliam no controle glicêmico, saciedade e saúde intestinal.Fonte natural de minerais essenciais como potássio, magnésio e cálcio.

  • Ação positiva no sistema imune pela presença de compostos bioativos (fenóis, flavonoides e vitamina C).

  • Melhora a performance de treino por reduzir fadiga e otimizar fluxo sanguíneo.

  • Estabilidade, versatilidade e segurança nutricional fazem dela um ingrediente ideal para produtos funcionais.

 

A beterraba é um superalimento natural cheio de nutrientes que fazem bem ao corpo. Ela tem antioxidantes poderosos que ajudam a melhorar a circulação, dar mais energia e fortalecer a imunidade. Também é rica em fibras, que ajudam o intestino a funcionar bem e aumentam a sensação de disposição ao longo do dia.

 

Por melhorar o fluxo de sangue e reduzir inflamações, a beterraba é muito usada em produtos voltados para vitalidade, libido e desempenho físico. Além disso, seus compostos naturais ajudam o corpo a se defender melhor, tornando-a ideal também para fórmulas que reforçam a imunidade.

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ARTIGOS CIENTÍFICOS

Prévia do Artigo

O artigo “Avaliação e composição nutricional da farinha de beterraba e sua utilização no preparo de sobremesas”, publicado na revista RIES – Revista Interdisciplinar de Estudos em Saúde, volume 2, número 1 (Suplemento), páginas 13–19, em 2013, apresenta um estudo experimental conduzido por Leyza P. de Oliveira, Guilherme Cesconetto, Bianca Schveitzer e Talize Foppa, vinculados à Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP) e à EPAGRI/SC.

O trabalho avalia a composição química, mineral e antioxidante da farinha de beterraba (Beta vulgaris L.), e sua aplicação no desenvolvimento de produtos doces (cookies e frozen) voltados à aceitação sensorial e ao potencial uso como ingrediente funcional e natural na alimentação humana.

Introdução

A beterraba (Beta vulgaris L.) é uma hortaliça de alto valor nutricional, rica em minerais, fibras, compostos fenólicos e pigmentos naturais, destacando-se pela presença de betalaínas, responsáveis pela coloração vermelha intensa e por sua atividade antioxidante. O artigo ressalta que a transformação da beterraba em farinha desidratada é uma alternativa promissora para o aproveitamento integral do vegetal, reduzindo perdas pós-colheita e agregando valor a produtos alimentícios, especialmente voltados ao público infantil e ao mercado de alimentos funcionais e naturais.

O objetivo do estudo foi caracterizar a farinha obtida da cultivar Tall Top Early Wonder e avaliar sua composição química e mineral, atividade antioxidante, além de testar sua aplicação sensorial em sobremesas doces (cookies e frozen).

Materiais e Métodos

As amostras de beterraba foram adquiridas de um produtor local de Caçador (SC) em 2012. As raízes foram lavadas, cortadas e secas em estufa de ar forçado a 60°C, depois moídas até obtenção da farinha. As análises seguiram métodos oficiais da AOAC (1995) e incluíram:

·         Matéria seca (MS), matéria mineral (MM), matéria orgânica (MO);

·         Proteína bruta (PB), fibra bruta (FB), extrato etéreo (EE) e extrativos não nitrogenados (ENN);

·         Teores de minerais (Ca, P, K, Mg, Na, Cl, S);

·         Energia bruta (calorimetria) e atividade antioxidante (DPPH).

Dois produtos foram desenvolvidos:

·         Cookie com 67% de farinha de beterraba e chocolate amargo, avaliado por 30 crianças (8–10 anos);

·         Frozen com 40% de farinha de beterraba, iogurte e pedaços de abacaxi, avaliado por 30 adultos.

 Os testes sensoriais seguiram a escala hedônica de nove pontos e a intenção de compra, conforme metodologia da ANVISA (2005).

Resultados e Discussão

1.    Composição Química da Farinha de Beterraba
A farinha apresentou baixo teor de umidade (4,37%), o que garante boa estabilidade e conservação, e 95,63% de matéria seca.

 A matéria orgânica (89,02%) foi composta por:

·         Proteína bruta: 13,64%

·         Fibra bruta: 8,17%

·         Extrato etéreo: 4,36%

·         Extrativos não nitrogenados: 62,85%

A matéria mineral (6,61%) e o alto teor de fibra são valores significativamente superiores aos da farinha de trigo (TACO, 2011), mostrando o potencial da beterraba como ingrediente rico em compostos bioativos e fibra funcional.

A energia bruta foi de 3.877 kcal/kg, e o poder antioxidante (DPPH) atingiu 8,71%, indicando presença de substâncias antioxidantes naturais, como betalaínas e fenóis.

2.    Composição Mineral (mg/100g de farinha):

 

Mineral

Farinha de Beterraba

Farinha de Trigo*

Cálcio (Ca)

109

18

Fósforo (P)

177

115

Potássio (K)

2433

151

Magnésio (Mg)

189

31

Sódio (Na)

99

1

Cloro (Cl)

132

ND

Enxofre (S)

94

ND

(*) Fonte: TACO (2011)

Esses resultados evidenciam que a farinha de beterraba é altamente mineralizada, apresentando teores de potássio, cálcio e magnésio até seis vezes maiores que os da farinha de trigo, o que a torna excelente para o equilíbrio eletrolítico e para dietas que visam reduzir a ingestão de sódio.

3.    Avaliação Sensorial dos Produtos Desenvolvidos

 Cookies (67% farinha de beterraba + chocolate amargo):

·         73,3% das crianças atribuíram nota 9 (“gostei muitíssimo”),

·         20% “gostei muito” e 6,7% “gostei regularmente”.

·         Média geral: 8,7/9 (excelente aceitação).

·         70% das crianças afirmaram que “comeriam sempre”, e 10% “muito frequentemente”.

Frozen (40% farinha de beterraba + abacaxi e limão):

·         43,3% “gostei muitíssimo” e 46,7% “gostei muito”;

·         Média geral: 8,6/9 (alta aceitação).

·         33,3% dos adultos afirmaram que “comprariam sempre”, e 46,7% “comprariam frequentemente”.

Esses resultados demonstram que os produtos formulados com a farinha apresentaram excelente aceitação sensorial e intenção de compra, especialmente devido à coloração atrativa e sabor suave proporcionado pela beterraba.

Conclusões

A farinha de beterraba se mostrou um ingrediente nutricionalmente rico, estável e funcional, com:

·         Alto teor de proteínas e fibras;

·         Elevada concentração mineral e antioxidante;

·         Boa aceitação sensorial e potencial comercial.

O estudo recomenda o uso da farinha de beterraba em produtos de panificação e sobremesas, destacando sua aplicação como corante natural, fonte de fibra e enriquecedor nutricional.

Palavras-chave:

Beterraba; Beta vulgaris; Farinha vegetal; Composição química; Antioxidante; Produtos funcionais; Aceitação sensorial.

Referência ABNT:

OLIVEIRA, Leyza P. de; CESCONETTO, Guilherme; SCHVEITZER, Bianca; FOPPA, Talize. Avaliação e composição nutricional da farinha de beterraba e sua utilização no preparo de sobremesas. RIES – Revista Interdisciplinar de Estudos em Saúde, Caçador, v. 2, n. 1 (Suplemento), p. 13–19, 2013.


Prévia do Artigo

O artigo “Determinação da composição centesimal a partir de dois métodos de secagem para a produção de farinha de beterraba (Beta vulgaris L. – Família Amaranthaceae)”, publicado na revista Visão Acadêmica (Curitiba, v. 17, n. 4, out.–dez. 2016), foi desenvolvido por A. Crocetti, C. H. Ogleari, G. Gomes, I. Sare, F. R. Campos e M. E. Balbi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O estudo teve como objetivo comparar dois métodos de desidratação (secagem em estufa e liofilização) para produção de farinha de beterraba, avaliando diferenças na composição centesimal, características macroscópicas e propriedades organolépticas das farinhas obtidas. O trabalho se insere no contexto da busca por ingredientes naturais e funcionais capazes de enriquecer alimentos e reduzir perdas pós-colheita.

Introdução

A beterraba (Beta vulgaris L.), da família Amaranthaceae, é uma hortaliça de elevada importância nutricional e tecnológica. Contém altos teores de água, carboidratos, fibras, vitaminas (ácido fólico, vitamina C) e minerais essenciais (potássio, fósforo, magnésio e cálcio), além de pigmentos betalaínicos com propriedades antioxidantes e vasodilatadoras.

Devido à sua coloração intensa e composição rica, a beterraba tem potencial como corante natural e ingrediente funcional, podendo ser utilizada em farinhas aplicáveis a produtos como bolos, pães e massas. O estudo foi motivado pela necessidade de identificar o método de secagem mais adequado à preservação das propriedades químicas e sensoriais da beterraba, comparando a secagem em estufa (50°C) e a liofilização (congelamento e sublimação).

Materiais e Métodos

As beterrabas utilizadas foram adquiridas em feira local de Curitiba (PR), higienizadas, descascadas e cortadas em cubos uniformes.

Farinha seca em estufa: obtida pela secagem a 50°C até peso constante e moagem subsequente.

Farinha liofilizada: o material foi pré-congelado a –40°C, imerso em nitrogênio líquido e submetido à liofilização (BENCHTOP 8L XL-70), sendo posteriormente moído em graal e pistilo.

Foram realizadas análises macroscópicas (cor, textura, odor, granulação, higroscopicidade) e químico-nutricionais, segundo metodologias do Instituto Adolfo Lutz (IAL, 2008) e AOAC (1995):

·         Umidade;

·         Proteína bruta (Kjeldahl, fator 5,75);

·         Lipídeos (Soxhlet);

·         Cinzas (matéria mineral);

·         Fibras alimentares;

·         Carboidratos (por diferença);

·         Valor energético (kcal/100g).

Os resultados foram comparados com a beterraba crua e expressos em base de 100 g.

Resultados e Discussão

1.    Composição Centesimal (g/100 g):

Determinação

Beterraba crua

Farinha seca em estufa

Farinha liofilizada

Umidade

92,22

10,44

15,11

Proteínas

1,31

16,92

14,58

Lipídeos

0,02

0,36

0,90

Carboidratos

4,58

48,52

41,20

Fibras

1,15

14,80

20,51

Minerais (cinzas)

0,69

8,94

7,68

Valor energético (kcal)

23,86

265,03

231,23

 

Interpretação:

·         Ambas as farinhas apresentaram grande concentração de nutrientes em relação à beterraba crua, devido à remoção da água.

·         A farinha seca em estufa apresentou maior teor de proteínas e carboidratos, porém menor teor de fibras e lipídeos.

·         A farinha liofilizada preservou melhor fibras, lipídios e cor natural, mantendo maior semelhança sensorial com a beterraba in natura.

·         A perda de cor e o escurecimento observados na farinha seca em estufa foram atribuídos à caramelização e reação de Maillard, comuns em temperaturas elevadas.

2.    Características macroscópicas e sensoriais:

·         Farinha seca em estufa: coloração escurecida, sabor levemente adocicado, grânulos rígidos e irregulares, odor mais intenso e doce.

·         Farinha liofilizada: coloração e aroma próximos da beterraba crua, textura mais leve e agradável ao paladar, porém alta higroscopicidade (absorve umidade rapidamente).

A análise mostrou que, embora ambas as técnicas sejam eficazes para obtenção da farinha, a liofilização preserva melhor os atributos nutricionais e sensoriais, enquanto a secagem em estufa é mais simples e econômica, porém causa degradação parcial de compostos sensíveis ao calor.

3.    Valor Diário de Referência (por 50 g de farinha):

Nutriente

Farinha em estufa

Farinha liofilizada

Carboidratos

24,26 g (8%)

20,60 g (7%)

Proteínas

8,46 g (11%)

7,29 g (10%)

Fibras

7,40 g (30%)

10,25 g (41%)

Energia

132,5 kcal (66%)

115,6 kcal (58%)

A farinha de beterraba, independentemente do método, apresenta valores de fibras e proteínas superiores aos da farinha de trigo, indicando alto potencial funcional e nutricional.

Comparações com farinhas de pinhão (Araucaria angustifolia) demonstraram que a beterraba desidratada retém melhor suas proteínas e fibras após o processamento, sendo mais adequada para uso em produtos fortificados.

Conclusões

·         Ambos os métodos foram viáveis para produção de farinha de beterraba.

·         A liofilização manteve melhor a cor, aroma e sabor, além de preservar fibras e lipídios.

·         A secagem em estufa, embora cause escurecimento e perda parcial de compostos termosensíveis, é mais prática e de menor custo.

·         As farinhas obtidas mostraram-se ricas em nutrientes e de alto valor energético, podendo ser utilizadas como ingrediente funcional em preparações alimentícias, principalmente em pães e bolos.

·         Recomenda-se a continuidade da pesquisa, avaliando a preservação de vitaminas (ácido ascórbico, ácido fólico) e o uso de conservantes naturais para reduzir a higroscopicidade do produto liofilizado.

Palavras-chave:

Beterraba; Beta vulgaris L.; Farinha vegetal; Liofilização; Secagem em estufa; Composição centesimal; Antioxidante.

Referência ABNT:

CROCETTI, A.; OGLEARI, C. H.; GOMES, G.; SARE, I.; CAMPOS, F. R.; BALBI, M. E. Determinação da composição centesimal a partir de dois métodos de secagem para a produção de farinha de beterraba (Beta vulgaris L. – Família Amaranthaceae). Visão Acadêmica, Curitiba, v. 17, n. 4, p. 22–35, out./dez. 2016.


Prévia do artigo

O artigo “Propriedades funcionais e tecnológicas da beterraba: um levantamento bibliográfico” (PEREIRA et al., 2022) apresenta uma revisão abrangente sobre as potencialidades nutricionais, tecnológicas e funcionais da beterraba (Beta vulgaris), destacando seu uso como fonte de compostos bioativos, corantes naturais e ingrediente funcional. O trabalho discute o aproveitamento integral da hortaliça e de seus resíduos — casca, talos e polpa — na elaboração de farinhas e coprodutos, com ênfase em suas aplicações na indústria alimentícia. O estudo também aborda as propriedades antioxidantes das betalaínas, pigmentos responsáveis pela cor intensa da beterraba, e sua relevância para a saúde humana e sustentabilidade industrial.

Introdução

A beterraba (Beta vulgaris) pertence à família Quenopodiaceae e é amplamente cultivada no mundo, sendo classificada em três tipos:

·         Açucareira, usada para produção de açúcar;

·         Forrageira, voltada à alimentação animal;

·         Hortaliça, consumida in natura, predominante no Brasil.

Recentemente, a beterraba tem despertado interesse científico e industrial devido ao seu alto teor de compostos bioativos, como betalaínas, flavonoides, polifenóis e ácido ascórbico, que possuem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios comprovados em estudos in vivo e in vitro.
Além de seu valor nutricional — rica em carboidratos, fibras, proteínas, minerais (sódio, potássio, cálcio, ferro) e vitaminas (A, B1, B2, B3, C e E) — a beterraba é reconhecida como uma fonte natural de corante alimentar, promovendo substituição de corantes sintéticos e agregando valor funcional a diversos produtos.

O objetivo do artigo foi realizar um levantamento bibliográfico sobre o uso da beterraba e seus resíduos na produção de alimentos e ingredientes funcionais, explorando aspectos nutricionais, tecnológicos e econômicos.

Aproveitamento de resíduos da beterraba

Durante o processamento mínimo, especialmente na produção de mini beterrabas, há geração de grandes volumes de resíduos, principalmente casca e polpa, que podem corresponder a até 65% do peso total do vegetal. Esses resíduos são ricos em compostos bioativos e pigmentos, representando uma importante matéria-prima para o desenvolvimento de farinhas e coprodutos funcionais.

Entre as aplicações relatadas:

·         Farinha de beterraba: utilizada na produção de biscoitos e cookies, com boa aceitação sensorial entre crianças e adolescentes, sem alterar significativamente o sabor e a textura em relação à formulação tradicional.

·         Talos e folhas: podem ser transformados em extratos pigmentantes, contendo cerca de 40% dos pigmentos totais da hortaliça, demonstrando potencial substitutivo a corantes sintéticos.

·         Bagaço ou polpa: empregado em bolos e doces, apresentando excelente aceitação para cor, sabor e textura, ampliando a variedade de produtos alimentares com apelo saudável e sustentável.

O artigo enfatiza que o aproveitamento integral da beterraba contribui para a redução de resíduos agroindustriais, geração de renda e diminuição do impacto ambiental.

Compostos bioativos: as betalaínas

As betalaínas são os principais pigmentos responsáveis pela coloração característica da beterraba. São compostos nitrogenados solúveis em água, derivados do ácido betalâmico, e dividem-se em dois grupos:

·         Betaxantinas – de coloração amarela;

·         Betacianinas – de coloração avermelhada a arroxeada.

Esses pigmentos apresentam forte atividade antioxidante, protegendo células contra o estresse oxidativo e reduzindo inflamações. Estudos mostram que a betanina — a principal betacianina — inibe a enzima cicloxigenase (COX), reduzindo processos inflamatórios e promovendo proteção das hemácias contra a hemólise oxidativa.

Além de seu valor fisiológico, a betanina é o único pigmento natural aprovado como corante alimentar pela União Europeia (E162) e pelo FDA nos Estados Unidos, e autorizado pela ANVISA no Brasil sem restrição de concentração máxima. Comercialmente, é disponibilizada na forma de concentrado em pó, o que aumenta sua estabilidade durante o armazenamento e o uso industrial.

Estabilidade e processamento

Embora bioativamente relevante, as betalaínas são sensíveis à degradação quando expostas a fatores ambientais, como temperatura elevada, oxigênio, luz e variações de pH. Para evitar perdas, o controle de condições de processamento é essencial, especialmente em alimentos submetidos a aquecimento.
O artigo recomenda estratégias para preservação da coloração e atividade antioxidante, como secagem controlada, uso de antioxidantes naturais e encapsulamento de pigmentos.

Aplicações alimentares e tecnológicas

A beterraba e seus resíduos apresentam potencial multifuncional na indústria alimentícia:

·         Como corante natural, substitui pigmentos artificiais em sucos, iogurtes, doces, bolos e confeitos;

·         Como ingrediente funcional, enriquece farinhas, biscoitos e massas com fibras e antioxidantes;

·         Como matéria-prima para farinhas vegetais, permite formulações com apelo saudável e sustentável, mantendo boa aceitação sensorial.

Estudos sensoriais citados no artigo mostraram que produtos com farinha de beterraba apresentaram boa aceitação quanto à aparência e sabor, demonstrando a viabilidade de uso industrial.

Conclusões

O levantamento bibliográfico evidencia que a beterraba e seus resíduos possuem alto valor nutricional, tecnológico e econômico.

 As principais conclusões incluem:

·         Elevado teor de compostos bioativos (betalaínas, flavonoides e fenóis);

·         Ação antioxidante e anti-inflamatória comprovada;

·         Potencial de uso como corante natural seguro e eficaz;

·         Possibilidade de reaproveitamento de resíduos na produção de farinhas e coprodutos funcionais;

·         Capacidade de agregar valor sensorial e nutricional a produtos alimentícios industrializados.

Portanto, a beterraba representa um ingrediente versátil e sustentável, capaz de contribuir para o desenvolvimento de alimentos funcionais e para a redução de impactos ambientais associados ao descarte de resíduos agroindustriais.

Referência (ABNT):

 PEREIRA, Thais Regina de Castro; CIPRIANO, Lévison da Costa; TOLEDO, Bruno Soares; AZEVEDO, Thiago Monteiro de; MANO, Sergio Borges; ESMERINO, Erick Almeida; MARSICO, Eliane Teixeira. Propriedades funcionais e tecnológicas da beterraba: um levantamento bibliográfico. The Journal of Engineering and Exact Sciences (jCEC), v. 8, n. 9, p. 14901–01a, 2022. DOI: 10.18540/jcecvl8iss9pp14901-01a. Acesso em: 13 out. 2025.


Prévia do artigo

O artigo “Produção e caracterização de farinha de beterraba para aplicação em produtos de panificação” (FERNANDES et al., 2020) tem como objetivo desenvolver uma farinha obtida a partir da beterraba (Beta vulgaris L.) e avaliar suas propriedades físico-químicas, microbiológicas e tecnológicas, visando seu uso como ingrediente funcional em produtos de panificação. O estudo busca valorizar o aproveitamento integral de vegetais e propor alternativas sustentáveis e nutricionalmente enriquecidas para a indústria de alimentos, com foco no uso de resíduos vegetais na formulação de farinhas especiais.

Introdução

O trabalho inicia destacando que o Brasil é um dos principais produtores agrícolas do mundo, mas também enfrenta sérios problemas de desperdício de alimentos e subprodutos vegetais. A indústria de transformação de frutas e hortaliças gera resíduos como cascas, polpas e folhas, que ainda possuem alto valor nutricional e funcional. A beterraba é apontada como um vegetal de grande potencial para aproveitamento integral, por ser rica em carboidratos, fibras, vitaminas (A, C e complexo B), minerais (ferro, potássio, magnésio) e pigmentos antioxidantes (betalaínas). Além de conferir cor natural intensa, esses compostos apresentam propriedades anti-inflamatórias, antianêmicas e antioxidantes, justificando seu uso em alimentos funcionais. Assim, o estudo teve como propósito produzir e caracterizar a farinha de beterraba e avaliar sua viabilidade como ingrediente na elaboração de produtos panificados.

Materiais e métodos

O experimento foi conduzido no Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Piauí (UFPI). As beterrabas frescas foram higienizadas, cortadas em fatias de 2 cm, secas em estufa a 60°C por 24 horas, moídas e peneiradas até obtenção da farinha homogênea.

As análises realizadas incluíram:

·         Composição centesimal: umidade, cinzas, proteínas, lipídios, fibras e carboidratos (AOAC, 2012);

·         Cor instrumental (L, a, b*)— para avaliação da intensidade e tonalidade da pigmentação;

·         pH e acidez titulável;

·         Atividade de água (Aw);

·         Propriedades tecnológicas: capacidade de absorção de água, retenção de óleo, solubilidade e capacidade de intumescimento;

·         Análises microbiológicas: presença de Salmonella spp., E. coli e Staphylococcus aureus.

Resultados e discussão

1.    Composição centesimal

A farinha de beterraba apresentou a seguinte composição média:

·         Umidade: 5,28%;

·         Cinzas: 8,92%;

·         Proteínas: 13,15%;

·         Lipídios: 2,04%;

·         Fibras: 18,35%;

·         Carboidratos: 52,26%;

·         Valor energético: 283,60 kcal/100 g.

Esses resultados indicam que a farinha é rica em fibras e minerais, com baixo teor de gordura e boa quantidade de proteínas, o que a torna adequada para formulações alimentícias funcionais. O baixo teor de umidade contribui para maior estabilidade microbiológica e vida útil do produto.

O teor de cinzas (8,9%) reflete a alta concentração mineral, especialmente de ferro e potássio, confirmando o potencial da farinha como ingrediente fortificante em alimentos.

2.    Propriedades tecnológicas

As análises mostraram que a farinha de beterraba possui:

·         Alta capacidade de absorção de água (4,3 mL/g);

·         Boa retenção de óleo (1,7 mL/g);

·         Elevada capacidade de intumescimento (3,8 mL/g);

·         Baixa solubilidade (12,6%).

Essas propriedades indicam que a farinha pode atuar como melhorador de textura e estrutura em massas de pães, bolos e biscoitos, além de aumentar o teor de umidade e a maciez do produto final. A boa absorção de água e a retenção de óleo também contribuem para o aumento da vida útil e da suculência dos produtos panificados.

3.    Cor, pH e acidez

A farinha apresentou coloração avermelhada intensa (L = 44,5; a = 28,3; b* = 9,1), atribuída à presença de betalaínas e antocianinas. Essa característica a torna interessante como corante natural e substituto de pigmentos sintéticos. O pH foi de 5,22, e a acidez titulável total de 0,37%, o que demonstra boa estabilidade e leve acidez, favorecendo sua aplicação em massas e produtos de panificação.

A coloração natural, somada à estabilidade térmica relativa das betalaínas, indica que a farinha pode manter pigmentação mesmo após o aquecimento, proporcionando produtos com aparência atrativa e funcionalidade antioxidante.

4.    Atividade de água e qualidade microbiológica

A farinha apresentou baixa atividade de água (Aw = 0,42), o que evita o desenvolvimento de microrganismos deteriorantes.

 Nas análises microbiológicas, não foram detectadas colônias de Salmonella spp., E. coli nem Staphylococcus aureus, confirmando que o processamento e armazenamento garantiram condições higiênico-sanitárias adequadas, em conformidade com a RDC nº 331/2019 (ANVISA).

Aplicações e potencial industrial

O estudo ressalta que a farinha de beterraba é viável para aplicação em produtos panificados, podendo substituir parcialmente a farinha de trigo sem prejudicar a textura ou sabor. Além disso, a coloração característica e o valor nutricional conferem aos produtos maior apelo sensorial e funcional, atendendo à demanda crescente por alimentos saudáveis e naturais.

A incorporação de farinhas vegetais coloridas como a de beterraba também representa uma estratégia de sustentabilidade, pois contribui para o reaproveitamento de resíduos agroindustriais e a redução do desperdício de hortaliças.

Conclusões

A farinha de beterraba produzida apresentou:

·         Baixo teor de umidade e boa estabilidade microbiológica;

·         Elevado teor de fibras, minerais e proteínas;

·         Boas propriedades tecnológicas (absorção e retenção de água e óleo);

·         Pigmentação natural intensa e estável;

·         Potencial de aplicação em produtos de panificação e confeitaria.

O artigo conclui que o uso dessa farinha pode melhorar o valor nutricional e a aparência de alimentos, além de contribuir para práticas produtivas mais sustentáveis.

Referência (ABNT):

 FERNANDES, Kátia Grazielle; SANTOS, Nathalia Alves dos; LIMA, Francimary Rodrigues de; ARAÚJO, Thatiana Abreu de; LIMA, Renata Mirella Tavares de. Produção e caracterização de farinha de beterraba para aplicação em produtos de panificação. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 10, p. 81832–81847, 2020. DOI: 10.34117/bjdv6n10-451. Acesso em: 13 out. 2025.