A maca peruana (Lepidium meyenii) é uma raiz originária das regiões mais altas da Cordilheira dos Andes, onde é cultivada há séculos como alimento tradicional associado à energia, resistência e vitalidade. Rica em nutrientes e em compostos bioativos exclusivos, como as macamidas, a maca vem sendo amplamente estudada por seus efeitos sobre o bem-estar físico e mental, a disposição e a saúde sexual. Atualmente, esse conhecimento tradicional aliado à ciência moderna explica por que a maca é um ingrediente estratégico em fórmulas funcionais como o Libbido da Terramazonia, que valorizam o equilíbrio do organismo de forma natural.
Resumo
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A maca peruana (Lepidium meyenii) é uma raiz cultivada nos Andes, usada há séculos como alimento funcional.
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Rica em carboidratos, proteínas, fibras, minerais e compostos bioativos exclusivos, como macamidas e macaenos.
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Estudos indicam benefícios para libido, bem-estar psicológico, energia, disposição e sintomas da menopausa.
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Seus efeitos não dependem diretamente da alteração de níveis hormonais séricos.
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Atua como ingrediente adaptógeno, auxiliando o corpo a lidar melhor com estresse físico e mental.
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Por seu perfil funcional amplo, é utilizada em fórmulas como o Libbido da Terramazonia, em sinergia com outros ingredientes naturais.
A maca peruana é uma raiz natural que cresce em regiões muito altas do Peru e é consumida há centenas de anos como alimento energético. Ela ficou conhecida por ajudar na disposição, na vitalidade e no bem-estar geral, inclusive na vida sexual.
O que torna a maca especial é a combinação de nutrientes e compostos naturais que ajudam o corpo a funcionar melhor, principalmente em momentos de cansaço físico ou mental. Diferente do que muita gente imagina, ela não age como um estimulante imediato nem altera hormônios diretamente, mas contribui para o equilíbrio do organismo como um todo.
Por isso, a maca é um ingrediente presente em produtos como o Libbido da Terramazonia, que buscam apoiar a energia, o desejo e a qualidade de vida de forma natural e contínua.
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Prévia do artigo
O artigo “A systematic review of the versatile effects of the Peruvian Maca Root (Lepidium meyenii) on sexual dysfunction, menopausal symptoms and related conditions” foi publicado em 2022 na revista Phytomedicine Plus. Os autores Cherie Bower-Cargill, Niousha Yarandi e Andrea Petroczi, da Kingston University (Reino Unido), realizaram uma revisão sistemática abrangente com o objetivo de avaliar os efeitos da raiz de maca peruana não apenas sobre disfunção sexual, qualidade seminal e sintomas da menopausa, mas também sobre outros desfechos fisiológicos e psicológicos em humanos e modelos animais.
A revisão seguiu rigorosamente as diretrizes PRISMA (2015) e incluiu 57 estudos in vivo, sendo 14 ensaios clínicos em humanos e 43 estudos pré-clínicos em animais. O trabalho analisou diferentes formas de preparo, cores da raiz (amarela, vermelha e preta), doses, durações e vias de administração, além de avaliar o risco de viés e a viabilidade de uma meta-análise, que ao final foi considerada inviável devido à elevada heterogeneidade metodológica.
Introdução
A maca peruana (Lepidium meyenii) é uma planta originária da região andina, cultivada em altitudes elevadas, tradicionalmente utilizada como alimento e como suplemento fitoterápico. Sua raiz é rica em carboidratos, proteínas, fibras, ácidos graxos, minerais e compostos bioativos, como glucosinolatos, macamidas e macaenos, considerados responsáveis por potenciais efeitos fisiológicos.
Embora a maca seja amplamente comercializada para disfunção sexual, fertilidade e menopausa, as revisões sistemáticas existentes se restringiam a esses temas. Diante disso, os autores buscaram responder se a maca apresenta efeitos terapêuticos mais amplos, justificando uma revisão sistemática abrangente.
Metodologia
· Revisão sistemática conduzida segundo PRISMA-P 2015.
· Bases de dados pesquisadas: PubMed, ScienceDirect e Google Scholar, além de busca em patentes (até março de 2021).
· Critérios de inclusão:
1. estudos in vivo;
2. ensaios clínicos randomizados ou estudos experimentais;
3. uso exclusivo de maca (em qualquer forma, dose ou preparo);
4. desfechos fisiológicos e/ou psicológicos mensuráveis.
· Estudos incluídos: 57 (14 em humanos e 43 em animais).
· Avaliação de qualidade pelo Cochrane Risk of Bias Tool.
· Foi avaliada a possibilidade de meta-análise para subgrupos, que se mostrou inviável.
Resultados
Estudos em humanos
· Amostras variaram de 8 a 175 participantes, com idades entre 21 e 65 anos.
· Doses de maca variaram entre 0,6 g/dia e 3,5 g/dia, com duração de 12 dias a 9 meses.
· Efeitos positivos foram observados principalmente sobre:
1. sintomas da menopausa;
2. função sexual e libido;
3. bem-estar psicológico, ansiedade e depressão;
4. estrutura óssea e parâmetros metabólicos.
· A maioria dos estudos utilizou cápsulas ou comprimidos de pó gelatinizado ou desidratado.
· Em vários estudos, níveis hormonais séricos não foram alterados, indicando que os efeitos da maca não dependem diretamente da modulação hormonal.
Estudos em animais
· Investigaram uma gama ainda mais ampla de condições, incluindo:
1. espermatogênese e fertilidade;
2. hiperplasia prostática;
3. memória, depressão e desempenho cognitivo;
4. proteção contra radiação UV;
5. homeostase metabólica e estresse oxidativo.
· Doses variaram amplamente (20 mg/kg a 7500 mg/kg).
· A maioria utilizou extratos aquosos, considerados próximos ao uso tradicional, mas também foram empregados extratos alcoólicos, metanólicos e orgânicos.
· Em cerca de 38 estudos pré-clínicos, a maca demonstrou efeitos positivos claros.
Tipo, preparo e cor da maca
· A cor da raiz (amarela, vermelha ou preta) influencia a presença e concentração de metabólitos secundários.
· Maca vermelha mostrou maior concentração de glucosinolatos, enquanto a amarela apresentou mais macaenos.
· Métodos de secagem e extração impactam significativamente a composição bioativa.
Risco de viés e limitações
· Muitos estudos apresentaram risco de viés incerto ou elevado, especialmente por:
1. ausência de descrição detalhada da randomização;
2. falta de dados numéricos completos;
3. resultados apresentados apenas em gráficos;
4. diversidade excessiva de doses, preparações e desfechos.
· Esses fatores impediram a realização de uma meta-análise confiável.
Conclusão
· A evidência disponível indica que a maca peruana apresenta potencial terapêutico amplo, indo além da disfunção sexual e da menopausa.
· 55 dos 57 estudos relataram algum efeito positivo.
· No entanto, são necessários ensaios clínicos mais rigorosos, com padronização de doses, duração e métodos de preparo, além de melhor qualidade de relato, para consolidar seu uso clínico seguro e eficaz.
Referência:
BOWER-CARGILL, Cherie; YARANDI, Niousha; PETROCZI, Andrea. A systematic review of the versatile effects of the Peruvian Maca Root (Lepidium meyenii) on sexual dysfunction, menopausal symptoms and related conditions. Phytomedicine Plus, v. 2, p. 100326, 2022. DOI: https://doi.org/10.1016/j.phyplu.2022.100326.
Prévia do artigo
O trabalho “Maca peruana (Lepidium meyenii Walp.): panorama atual” foi desenvolvido por Andressa Caroline Alves como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Farmácia-Bioquímica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação da Profa. Dra. Dominique CH Fischer, em 2019.
Trata-se de uma revisão bibliográfica ampla e crítica, cujo objetivo foi traçar um panorama atualizado sobre a maca peruana, abordando sua origem, composição química, atividades farmacológicas, segurança/toxicidade e aspectos regulatórios. O trabalho reúne evidências in vitro, in vivo e clínicas publicadas nos últimos 15 anos, com foco em avaliar se os usos populares e comerciais da maca são respaldados pelo conhecimento científico disponível.
Introdução
Lepidium meyenii Walp., conhecida como maca peruana, é uma planta da família Brassicaceae, nativa dos Andes Centrais do Peru, cultivada em altitudes elevadas (2.800 a 5.000 m), sob condições ambientais extremas. Seus tubérculos são consumidos há séculos como alimento pelos povos andinos, aos quais são atribuídas propriedades nutricionais, energéticas e medicinais.
A partir da década de 1990, a maca ganhou grande popularidade internacional, impulsionando sua comercialização como alimento funcional, nutracêutico e suplemento. Esse crescimento despertou o interesse científico, mas também levantou questionamentos quanto à eficácia real, mecanismos de ação e segurança de uso.
Objetivos
O trabalho teve como objetivo avaliar criticamente o estado atual do conhecimento científico sobre a maca peruana, analisando:
· sua composição química;
· suas atividades farmacológicas comprovadas;
· potenciais riscos e toxicidade;
· aspectos regulatórios, especialmente no contexto brasileiro.
Metodologia
Foi realizada uma revisão bibliográfica narrativa, utilizando bases científicas como PubMed® e Web of Science®, além de documentos oficiais da área da saúde e legislação. Os critérios de inclusão consideraram:
· artigos publicados nos últimos 15 anos;
· textos em português, inglês ou espanhol;
· estudos in vitro, in vivo e clínicos relacionados exclusivamente a Lepidium meyenii.
Resultados
1. Apresentação da espécie
Os tubérculos da maca apresentam diferentes fenótipos de cor (amarela, vermelha, preta, entre outras). Embora compartilhem os mesmos tipos de metabólitos, a proporção desses compostos varia conforme o fenótipo, o local de cultivo e o processamento pós-colheita, influenciando as propriedades biológicas.
2. Composição química
A maca apresenta composição química complexa, destacando-se:
· alto teor de carboidratos, fibras e proteínas;
· presença de aminoácidos essenciais e minerais (ferro, cálcio, potássio, zinco);
· metabólitos secundários específicos, como:
o polissacarídeos;
o glicosinolatos e seus derivados;
o macamidas (marcadores químicos da espécie);
o macaenos;
o alcaloides imidazólicos;
o macapirrolinas;
o macahidantoínas e macatiohidantoínas;
o meyeniinas;
o polifenóis e fitoesterois.
Muitos desses compostos são formados ou transformados durante o processamento pós-colheita, especialmente a secagem tradicional.
3. Atividades farmacológicas
· Os estudos revisados atribuíram à maca diversas atividades biológicas:
· Sistema reprodutor feminino: melhora dos sintomas da menopausa, da osteoporose, da ansiedade, da depressão e da qualidade de vida geral.
· Sistema reprodutor masculino: aumento da contagem e motilidade espermática, melhora da libido e da disfunção erétil leve; redução do tamanho da próstata em modelos de hiperplasia benigna, dependendo do fenótipo utilizado.
· Efeitos metabólicos: ação hipoglicemiante, melhora da sensibilidade à insulina, redução da hiperlipidemia e proteção hepática, principalmente em modelos animais.
· Sistema cardiovascular: redução da pressão arterial, associada à inibição da enzima conversora da angiotensina (ECA) e ao alto teor de potássio.
· Ação antioxidante e anti-fadiga: aumento da atividade de enzimas antioxidantes (SOD, CAT, GPx), redução do estresse oxidativo e melhora do desempenho físico em modelos experimentais.
· Efeito imunomodulador: modulação de citocinas inflamatórias (ex.: IL-6) e estímulo da resposta macrofágica.
· Atividade citotóxica e antiviral: efeito antiproliferativo seletivo contra linhagens tumorais e inibição do vírus influenza A e B em estudos in vitro.
· Efeitos neurológicos: ação neuroprotetora, analgésica, antidepressiva e ansiolítica, associada principalmente às macamidas, que interagem com o sistema endocanabinoide.
4. Toxicidade e segurança
Os dados indicam que o consumo da maca seca e processada é seguro, sem relatos relevantes de toxicidade em ensaios clínicos. Estudos in vivo mostraram ausência de toxicidade aguda mesmo em doses elevadas. Por outro lado, o consumo do tubérculo fresco não é recomendado, devido à possível presença de compostos potencialmente tóxicos antes da secagem.
Discussão
O trabalho reforça que grande parte das ações farmacológicas da maca é citoprotetora e decorrente de efeitos sinérgicos entre diferentes metabólitos, especialmente os polissacarídeos e as macamidas. Entretanto, destaca-se a limitação no número e no desenho dos ensaios clínicos, além da dificuldade de extrapolar resultados de estudos animais para humanos devido às altas doses utilizadas.
Conclusão
As evidências disponíveis sustentam que a maca peruana apresenta benefícios relevantes e baixa toxicidade, justificando seu uso tradicional e atual. Contudo, são necessários ensaios clínicos mais robustos, padronização de doses e maior elucidação dos mecanismos de ação para que a espécie seja reconhecida oficialmente como fitoterápico, além de seu uso como alimento funcional.
Referências:
ALVES, Andressa Caroline. Maca peruana (Lepidium meyenii Walp.): panorama atual. 2019. 29 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Farmácia-Bioquímica) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019.
Prévia do Artigo
O artigo “Global Research Status of Maca (Lepidium meyenii Walp.): A Bibliometric Analysis of Hotspots, Bursts, and Trends”, publicado em 2025, foi desenvolvido por Kangjie Li, Chongbo Zhao, Ming Dang e colaboradores, vinculados principalmente à Shaanxi University of Chinese Medicine (China).
Trata-se de um estudo bibliométrico aprofundado, cujo objetivo é mapear, quantificar e interpretar o panorama global das pesquisas científicas sobre a maca peruana no período de 2003 a 2024. O trabalho analisa tendências de publicação, países e instituições mais produtivos, colaborações internacionais, áreas temáticas dominantes, palavras-chave emergentes e lacunas do conhecimento.
O estudo não avalia diretamente os efeitos biológicos da maca, mas oferece uma visão estratégica do desenvolvimento científico, permitindo compreender onde a pesquisa está concentrada, quais temas estão em ascensão e quais caminhos futuros são mais promissores, especialmente no que se refere aos polissacarídeos da maca.
Introdução
A maca (Lepidium meyenii Walp.) é uma planta herbácea da família Brassicaceae, nativa dos Andes peruanos, tradicionalmente cultivada em altitudes entre 3.700 e 4.500 metros, sob condições ambientais extremas. Historicamente, é utilizada como alimento básico e como planta medicinal, sendo associada ao aumento da energia, melhora da fertilidade e promoção da saúde geral.
Com o crescimento do mercado de alimentos funcionais e suplementos, a maca passou a despertar grande interesse científico e industrial, especialmente a partir do final do século XX. Apesar do aumento expressivo de pesquisas, faltava até então uma análise sistemática e quantitativa que avaliasse a evolução, os focos e as tendências globais da produção científica sobre essa espécie — lacuna que este estudo se propõe a preencher.
Objetivo
O objetivo do estudo foi analisar de forma abrangente o estado global da pesquisa científica sobre a maca, identificando:
· tendências temporais de publicação;
· países, instituições e autores de maior destaque;
· áreas de pesquisa predominantes;
· palavras-chave e temas emergentes;
· direções futuras da investigação científica.
Metodologia
Foi realizado um estudo bibliométrico quantitativo, utilizando como fonte de dados a base Web of Science Core Collection (SCI-Expanded e SSCI). Os critérios de busca incluíram os termos “Maca” e “Lepidium meyenii”, considerando artigos e revisões publicados em inglês entre 2003 e agosto de 2024.
Após triagem e exclusão de duplicatas, foram analisados 445 artigos válidos (379 artigos originais e 66 revisões), por meio dos softwares:
· VOSviewer (análise de redes e clusters),
· CiteSpace (análise de explosões de palavras-chave),
· R Bibliometrix (análise estatística e visual).
Resultados
Evolução das publicações
Os dados revelaram um crescimento contínuo e acelerado das publicações sobre maca ao longo dos anos, especialmente após 2016. O período de maior expansão ocorreu entre 2021 e 2022, indicando que a maca se consolidou como um tema de interesse científico global.
Países e colaboração internacional
Foram identificados 57 países envolvidos na pesquisa sobre maca. Os principais foram:
· China (liderando em número de publicações),
· Peru (forte impacto científico e colaboração),
· Estados Unidos.
A análise de redes mostrou que o Peru apresenta forte cooperação internacional, enquanto os Estados Unidos mantêm o maior número de conexões com outros países. O Brasil aparece entre os dez países com maior número de publicações, porém com impacto ainda modesto.
Instituições e autores
As instituições mais produtivas foram:
· Universidad Peruana Cayetano Heredia (Peru),
· Chinese Academy of Sciences,
· Universidades chinesas e peruanas.
O autor mais influente foi Gustavo F. Gonzales, referência mundial na área de fisiologia reprodutiva associada à maca. Observou-se a formação de grupos de pesquisa relevantes, embora ainda haja fragmentação e baixa integração entre áreas.
Principais áreas de pesquisa
A pesquisa sobre maca concentra-se principalmente em:
· Farmacologia (fertilidade, comportamento sexual, regulação hormonal);
· Nutrição e alimentos funcionais;
· Fitoquímica (macamidas, alcaloides, polissacarídeos);
· Agronomia e cultivo;
· Biologia molecular e imunologia.
Palavras-chave e tendências emergentes
As palavras-chave mais frequentes foram:
· extract,
· sexual behavior,
· constituents,
· antioxidant activity,
· polysaccharide.
A análise temporal mostrou que polissacarídeos da maca representam o principal foco emergente, com crescimento expressivo após 2017. Outros temas em ascensão incluem:
· atividade antioxidante,
· imunomodulação,
· neuroproteção,
· ação anti-inflamatória.
Por outro lado, termos como food supplement e cytotoxic activity mostraram declínio, indicando mudança no direcionamento das pesquisas.
Discussão
Os resultados demonstram que a pesquisa sobre maca está em fase de expansão e diversificação, com forte predominância de estudos experimentais. Destaca-se o crescente interesse em compreender mecanismos moleculares, especialmente relacionados às macamidas e aos polissacarídeos, que vêm sendo associados a efeitos anti-fadiga, antioxidantes, hepatoprotetores, imunológicos e reprodutivos.
Apesar do avanço, os autores apontam limitações importantes, como:
· escassez de ensaios clínicos robustos,
· falta de padronização de extratos e métodos de análise,
· pouca integração entre estudos de diferentes países.
Conclusão
O estudo conclui que a pesquisa científica sobre Lepidium meyenii encontra-se em um período de alta atividade, com crescimento contínuo e potencial significativo de aplicação nas áreas de saúde, nutrição e alimentos funcionais.
Os polissacarídeos da maca despontam como o principal eixo estratégico para pesquisas futuras, assim como a necessidade de cooperação internacional, padronização metodológica e ampliação de estudos clínicos para garantir segurança, eficácia e aplicação regulatória.
Referência:
LI, Kangjie et al. Global research status of maca (Lepidium meyenii Walp.): a bibliometric analysis of hotspots, bursts, and trends. Drug Design, Development and Therapy, Auckland, v. 19, p. 2329–2349, 2025. DOI: 10.2147/DDDT.S499849.
Prévia do Artigo
O artigo “Exploring the chemical and pharmacological variability of Lepidium meyenii: a comprehensive review of the effects of maca”, publicado em 2024 na revista Frontiers in Pharmacology, foi elaborado por Norka Ulloa del Carpio, Diego Alvarado-Corella, Dante M. Quiñones-Laveriano, Andrea Araya-Sibaja, José Vega-Baudrit, Maria Monagas-Juan, Mirtha Navarro-Hoyos e Martha Villar-López, vinculados a instituições do Peru, Costa Rica e Estados Unidos.
Trata-se de uma revisão narrativa abrangente, cujo objetivo foi analisar de forma integrada a variabilidade química da maca (Lepidium meyenii Walp.) e suas propriedades farmacológicas, considerando diferenças entre ecótipos, condições de cultivo, processamento pós-colheita e tipos de extratos utilizados em suplementos alimentares. O artigo reúne evidências pré-clínicas e clínicas, além de discutir segurança, toxicologia e possíveis mecanismos de ação molecular, com especial ênfase nos metabólitos bioativos exclusivos da maca, como macamidas, glucosinolatos e macaenos.
Introdução
A Lepidium meyenii Walp., conhecida como maca peruana, é uma planta bienal da família Brassicaceae, nativa das regiões andinas do Peru e da Bolívia, cultivada há mais de dois mil anos em altitudes elevadas. Tradicionalmente utilizada como alimento e fonte de energia, a maca ganhou projeção global a partir da década de 1990, passando a ser amplamente comercializada como suplemento alimentar com alegações relacionadas à fertilidade, vitalidade, desempenho físico e bem-estar.
Entretanto, a composição química da maca é altamente variável, influenciada por fatores como genética da planta, ecótipos (amarela, vermelha, preta), altitude, manejo agrícola e métodos de secagem, o que impacta diretamente seus efeitos biológicos. Diante disso, o artigo propõe uma revisão aprofundada sobre como essa variabilidade química se reflete nas propriedades farmacológicas atribuídas à maca.
Etnobotânica e uso tradicional
Historicamente, a maca é considerada um alimento estratégico para populações andinas, devido à sua capacidade de armazenamento prolongado quando seca. Seu consumo tradicional ocorre após desidratação e cocção, uma vez que a raiz fresca é considerada potencialmente prejudicial à saúde.
Relatos etnográficos indicam o uso da maca como fonte energética, alimento fortalecedor e auxiliar na adaptação às condições extremas de altitude. Embora atualmente seja amplamente divulgada como afrodisíaca, evidências históricas indicam que esse não era o principal uso tradicional entre os povos andinos.
Composição química
A maca apresenta um perfil químico complexo, dividido em:
· Macronutrientes: carboidratos (≈59%), proteínas (≈10–16%), fibras (≈8%) e lipídios (≈2%);
· Minerais: potássio, cálcio, ferro, cobre, zinco e fósforo;
· Metabólitos secundários, com destaque para:
o Macamidas – compostos exclusivos da maca, considerados marcadores de qualidade;
o Macaenos – derivados de ácidos graxos insaturados;
o Glucosinolatos (principalmente glucotropaeolina);
o Polissacarídeos;
o Alcaloides, flavonoides, esteróis, polifenóis e ácidos graxos livres.
A formação de muitas macamidas ocorre durante o processo de secagem pós-colheita, envolvendo a degradação de lipídios e glucosinolatos e posterior formação de ligações amida.
Farmacologia e mecanismos de ação
Os estudos revisados atribuem à maca uma ampla gama de efeitos farmacológicos pré-clínicos, incluindo:
· Neuroproteção e efeitos antidepressivos, associados à modulação do sistema serotoninérgico e do sistema endocanabinoide, principalmente pelas macamidas;
· Atividade antioxidante, com redução de estresse oxidativo celular e aumento de enzimas antioxidantes (SOD, CAT, GSH-Px);
· Ação anti-inflamatória e analgésica, com inibição de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, IL-1β);
· Atividade imunomoduladora, promovendo equilíbrio entre respostas Th1/Th2;
· Efeitos antitumorais, especialmente relacionados a glucosinolatos e seus metabólitos (isotiocianatos);
· Melhora da fertilidade masculina, com aumento da espermatogênese, motilidade espermática e proteção contra toxicidade gonadal;
· Efeitos metabólicos e cardioprotetores, incluindo ação anti-hipertensiva;
· Ação anti-fadiga e adaptógena, associada à regulação do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA).
Estudos clínicos
Os ensaios clínicos disponíveis concentram-se principalmente em:
· saúde sexual masculina, mostrando melhora da libido, da função erétil e do bem-estar subjetivo;
· sintomas da menopausa, com redução de ondas de calor, ansiedade e depressão;
· desempenho físico, com melhora modesta da resistência e da percepção de energia.
De modo geral, os estudos clínicos indicam boa tolerabilidade, mas ainda apresentam limitações metodológicas, como amostras pequenas e curta duração.
Segurança e toxicologia
A maca apresenta perfil de segurança favorável. Estudos pré-clínicos indicam baixa toxicidade aguda e crônica, mesmo em doses elevadas. Em humanos, a maioria dos estudos relata ausência de efeitos adversos graves, sendo incomuns efeitos leves como desconforto gastrointestinal.
Casos isolados de eventos adversos (ex.: sangramento vaginal ou episódios maníacos) foram relatados, mas sem comprovação causal direta. O consumo de extratos altamente purificados ainda requer maior avaliação regulatória.
Conclusão
A revisão conclui que a maca peruana é uma planta de elevado interesse científico, com amplo potencial farmacológico decorrente da ação sinérgica de seus metabólitos bioativos. No entanto, a variabilidade química entre ecótipos, formas de processamento e tipos de extrato exige padronização rigorosa para garantir eficácia e segurança.
Os autores ressaltam a necessidade de mais ensaios clínicos robustos, bem como estudos mecanísticos, para consolidar o uso da maca não apenas como suplemento alimentar, mas como matriz bioativa de interesse farmacêutico e nutricional.
ULLOA DEL CARPIO, Norka et al. Exploring the chemical and pharmacological variability of Lepidium meyenii: a comprehensive review of the effects of maca. Frontiers in Pharmacology, Lausanne, v. 15, art. 1360422, 2024. DOI: https://doi.org/10.3389/fphar.2024.1360422.
Prévia do Artigo
O artigo “Effects of Maca (Lepidium meyenii Walp.) on Physical Performance in Animals and Humans: A Systematic Review and Meta-Analysis” foi publicado em 2025 na revista Nutrients e tem como autores Álvaro Huerta Ojeda, Javiera Rodríguez Rojas, Jorge Cancino-López, Guillermo Barahona-Fuentes, Leonardo Pavez, María-Mercedes Yeomans-Cabrera e Carlos Jorquera-Aguilera, vinculados a universidades do Chile.
Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise, conduzida segundo as diretrizes PRISMA, cujo objetivo foi avaliar o efeito da suplementação com maca peruana sobre o desempenho físico, tanto em modelos animais quanto em humanos, além de quantificar o tamanho do efeito (effect size) associado a diferentes doses e preparações da planta. O trabalho reúne evidências experimentais acumuladas até outubro de 2024, oferecendo uma análise robusta do potencial ergogênico da maca.
Introdução
Diversas plantas são utilizadas tradicionalmente e cientificamente como auxiliares ergogênicos, com potencial para melhorar a resistência, a força e retardar a fadiga. Exemplos clássicos incluem ginseng, rhodiola e beterraba. Nesse contexto, a maca peruana (Lepidium meyenii Walp.), planta nativa dos Andes, ganhou destaque mundial por seu uso tradicional como alimento energético e por suas supostas propriedades adaptógenas.
A maca é rica em aminoácidos, fibras, minerais e compostos bioativos, como glucosinolatos, macamidas e macaenos, que apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras. Apesar do crescente número de estudos sugerindo melhora do desempenho físico com o uso da maca, ainda não havia uma síntese quantitativa capaz de estimar o tamanho real do efeito dessa suplementação, lacuna que este estudo buscou preencher.
Objetivos
· Revisar sistematicamente os estudos publicados até 2024 que investigaram os efeitos da maca sobre o desempenho físico em animais e humanos;
· Calcular e comparar o tamanho do efeito (effect size) da suplementação com diferentes doses e formas de preparo;
· Avaliar a qualidade metodológica dos estudos incluídos.
Metodologia
A revisão seguiu rigorosamente as recomendações PRISMA e foi registrada no PROSPERO (CRD42024586234).
· Bases de dados: Web of Science, Scopus, PubMed, MEDLINE e SPORTDiscus.
· Critérios de inclusão: estudos controlados, com avaliação pré e pós-intervenção, realizados in vivo (animais e humanos), utilizando Lepidium meyenii como intervenção.
· Estudos incluídos:
· 21 estudos na revisão sistemática;
· 16 estudos incluídos na meta-análise.
· Avaliação de qualidade:
· CAMARADES para estudos em animais;
· Newcastle-Ottawa Scale (NOS) para estudos em humanos.
· Variáveis analisadas:
o Teste de natação forçada (FST);
o Teste de rota-rod (RRT);
o Teste de força de preensão (GST);
o Ácido lático (LA) e ácido lático sanguíneo (BLA).
o Análise estatística: diferença média padronizada (SMD – Hedges’ g), com intervalo de confiança de 95%.
Resultados
· Observou-se efeito positivo significativo da maca sobre o desempenho físico, tanto em modelos animais quanto em humanos.
· O efeito foi considerado grande para a maioria dos desfechos analisados.
Meta-análise
· Teste de natação forçada (FST):
o SMD total = 2,26, indicando aumento expressivo da resistência física.
· Teste de rota-rod (RRT):
o SMD = 6,26, sugerindo melhora marcante de coordenação e resistência neuromuscular.
· Força de preensão (GST):
o SMD = 5,23, indicando aumento significativo da força muscular.
· Ácido lático (LA):
o SMD = −1,01, refletindo menor acúmulo de metabólitos associados à fadiga.
· Ácido lático sanguíneo (BLA):
o SMD = −1,70, indicando melhor recuperação metabólica pós-exercício.
Efeito dose–resposta
· Os resultados demonstraram um claro efeito dose–resposta, com maiores efeitos em doses elevadas de maca.
· Preparações ricas em macamidas e polissacarídeos apresentaram os melhores resultados.
Qualidade metodológica e viés
· Estudos em animais apresentaram, em sua maioria, qualidade metodológica moderada.
· Entre os estudos em humanos, dois foram classificados como de alta qualidade e dois como de qualidade intermediária.
· Foi detectado viés de publicação, especialmente nos desfechos relacionados ao teste de natação forçada e ao ácido lático, devendo os resultados ser interpretados com cautela.
Discussão
Os efeitos ergogênicos da maca parecem estar associados principalmente às macamidas, compostos exclusivos da planta, capazes de modular o metabolismo energético, reduzir o estresse oxidativo e melhorar a tolerância à fadiga. A redução do ácido lático sugere melhor eficiência metabólica durante exercícios prolongados.
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que a maioria das evidências provém de modelos animais, e que os estudos clínicos em humanos ainda são escassos, heterogêneos e com amostras reduzidas.
Conclusão
A maca peruana apresenta efeitos positivos significativos sobre o desempenho físico, com melhora da resistência, força e recuperação metabólica. O impacto é dependente da dose e dos compostos bioativos presentes, especialmente as macamidas.
Entretanto, são necessários ensaios clínicos randomizados mais robustos, com padronização de doses e formas de preparo, para confirmar seu uso seguro e eficaz como suplemento ergogênico em humanos.
Referência:
HUERTA OJEDA, Álvaro et al. Effects of Maca (Lepidium meyenii Walp.) on physical performance in animals and humans: a systematic review and meta-analysis. Nutrients, Basel, v. 17, n. 1, art. 107, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/nu17010107.