Introdução

O feno-grego é uma das sementes mais estudadas dentro da nutrição funcional e vem ganhando espaço em fórmulas naturais voltadas para energia, vitalidade e libido. Rico em fibras solúveis, proteínas, antioxidantes e saponinas, compostos associados à modulação hormonal, esse ingrediente se destaca pela combinação única de benefícios metabólicos e ação sobre a disposição física e sexual.

Neste artigo, reunimos as evidências científicas mais relevantes sobre o feno-grego e explicamos por que ele é um dos ingredientes-chave nas formulações funcionais da Terramazonia.


Resumo dos artigos científicos:


  • O feno-grego é rico em fibras solúveis (galactomanana), proteínas e compostos bioativos como saponinas, flavonoides e diosgenina.

  • Estudos mostram efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, hipoglicemiantes e hipocolesterolêmicos.

  • As saponinas esteróides podem modular vias hormonais, favorecendo aumento de testosterona livre e melhora da vitalidade e libido.

  • Melhora a sensibilidade à insulina e reduz glicemia e colesterol, apoiando saúde metabólica e energia.

  • A germinação aumenta a concentração de proteínas, antioxidantes e a digestibilidade.

  • Demonstrou benefícios no desempenho muscular, força e composição corporal em ensaios clínicos.

  • A fibra solúvel melhora trânsito intestinal e promove sensação de saciedade.

  • É considerado seguro, versátil e amplamente estudado para uso funcional e nutracêutico.

    O feno-grego é uma semente muito usada na nutrição funcional por ser rica em fibras, proteínas e compostos naturais que fazem bem para o corpo. Estudos mostram que ele ajuda a equilibrar açúcar no sangue, melhora o colesterol, aumenta a energia e ainda tem ação antioxidante.

    Um dos grandes diferenciais do feno-grego é a presença das saponinas: substâncias que podem favorecer o aumento da testosterona livre e melhorar a circulação, o que está diretamente ligado à vitalidade, disposição e libido.

     

    Ele também pode melhorar o desempenho físico, ajudar no ganho de massa magra e reduzir inflamações. Por isso, é um ingrediente muito valorizado em produtos naturais voltados para energia, metabolismo e saúde sexual.


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    ARTIGOS

    Prévia do Artigo

    O artigo “Fenugreek: A Review on its Nutraceutical Properties and Utilization in Various Food Products” foi publicado em 2018 no periódico Journal of the Saudi Society of Agricultural Sciences (v. 17, p. 97–106), pela King Saud University. Escrito por Sajad Ahmad Wani e Pradyuman Kumar, da Department of Food Engineering and Technology, Sant Longowal Institute of Engineering and Technology (Índia), o artigo apresenta uma revisão científica abrangente sobre as propriedades nutracêuticas do feno-grego (Trigonella foenum-graecum L.) e suas aplicações na formulação de alimentos funcionais e produtos industrializados.

    O trabalho destaca o potencial da planta como ingrediente alimentar com propriedades hipoglicemiantes, hipocolesterolêmicas, antioxidantes, anticancerígenas e imunológicas, além de seu uso tecnológico como estabilizante, emulsificante e agente adesivo em produtos de panificação e extrusados.

    1. Introdução

    O feno-grego (Trigonella foenum-graecum) é uma leguminosa amplamente utilizada como especiaria e planta medicinal. Suas sementes e folhas são empregadas para melhorar o sabor, aroma e cor dos alimentos, além de possuírem reconhecidas propriedades terapêuticas. As sementes são ricas em fibra alimentar (cerca de 25%), proteínas (22–26%), mucilagem, saponinas e alcaloides bioativos, destacando-se diosgenina, trigonelina, colina e quercetina.

    A planta contém ainda compostos fenólicos e flavonoides com efeitos antioxidantes e apresenta voláteis aromáticos como o sotolon, responsável pelo aroma característico de xarope de bordo.

    2. Propriedades Nutracêuticas

    O artigo sintetiza estudos que comprovam a atuação do feno-grego em múltiplas funções fisiológicas benéficas:

    ·         Auxiliar da lactação: estimula a produção de leite por conter precursores hormonais, aumentando a secreção láctea em 24–72 horas após a ingestão. Estudos com cabras e mulheres lactantes confirmaram elevação no volume e teor de gordura do leite.

    ·         Atividade imunológica: extratos aquosos (50–200 mg/kg) mostraram efeito imunomodulador, aumentando a proliferação linfocitária e a atividade fagocitária de macrófagos em testes com camundongos.

    ·         Efeito hipoglicemiante: comprovado em humanos e animais com diabetes tipo 1 e tipo 2. A fibra solúvel (galactomanana) retarda a absorção de glicose, melhora a sensibilidade à insulina e reduz hemoglobina glicada. O mecanismo inclui estímulo à secreção de insulina e aumento da utilização de glicose tecidual.

    ·         Efeito hipocolesterolêmico: os polissacarídeos e saponinas reduzem colesterol total e LDL, aumentando o HDL. Em estudos com ratos diabéticos, o extrato reduziu triglicerídeos e colesterol em até 30%.

    ·         Atividade antioxidante: extratos metanólicos, etanólicos e aquosos demonstraram capacidade antioxidante significativa (72% para sementes, 64% para casca e 56% para endosperma), atribuída ao alto teor de polifenóis e saponinas.

    ·         Ação anticancerígena: a diosgenina e outros compostos bioativos inibem o crescimento de células tumorais, induzindo apoptose e reduzindo a progressão de cânceres de mama, cólon e fígado em modelos experimentais.

    ·         Atividade antibacteriana e antifúngica: extratos aquosos e metanólicos mostraram inibição de fungos (Fusarium, Botrytis, Alternaria) e bactérias como Helicobacter pylori e Staphylococcus aureus.

    ·         Benefícios digestivos: o alto teor de fibras e polissacarídeos não amiláceos aumenta o volume fecal e melhora o trânsito intestinal, prevenindo constipação e promovendo melhor digestão.

    3. Utilização do Feno-grego em Produtos Alimentares

    O artigo apresenta uma ampla revisão sobre o uso do feno-grego em alimentos tradicionais e industrializados, destacando seu papel como ingrediente funcional:

    ·         Estabilizante e emulsificante: a goma de feno-grego (rico em galactomanana) melhora a estabilidade de emulsões, aumenta viscosidade e atua como prebiótico. Pode substituir gomas comerciais em iogurtes, molhos, sucos e suplementos nutricionais.

    ·         Produtos de panificação: a adição de 5–10% de farinha de feno-grego em pães, bolos, biscoitos e pizzas melhora o valor nutricional (fibras, ferro, vitaminas) sem comprometer textura ou sabor. Também reduz glicose e lipídios em consumidores diabéticos.

    ·         Produtos extrusados: a incorporação de 2–15% de farinha ou polissacarídeo debitterizado resultou em snacks com boas propriedades físicas e sensoriais, baixo índice glicêmico e maior conteúdo de fibra e proteína.

    ·         Usos tradicionais: na Índia e Oriente Médio, as folhas e sementes são usadas em curry, pães, queijos e chás medicinais. Em países europeus, o extrato é utilizado para dar sabor a queijos e xaropes.

    ·         Outros usos: pode ser adicionado a sopas, barras de cereais, bebidas lácteas e doces. Quando usado em conjunto com farinha de trigo, reduz a absorção de gordura em frituras em até 15%.

    4. Conclusões

    O feno-grego apresenta um amplo espectro de propriedades nutracêuticas e tecnológicas, podendo ser utilizado tanto como suplemento funcional quanto como ingrediente alimentar. Seu conteúdo elevado de fibras solúveis, proteínas e compostos bioativos o torna um ingrediente promissor para produtos voltados à saúde metabólica, controle glicêmico, colesterol e peso corporal.

    Os autores concluem que o consumo regular e controlado de feno-grego é seguro e eficaz, e que sua aplicação na indústria alimentícia pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de alimentos funcionais e terapêuticos.

    Palavras-chave:

    Fenugreek; Trigonella foenum-graecum; Propriedades nutracêuticas; Fibras solúveis; Antioxidante; Hipoglicemiante; Panificação; Produtos extrusados; Ingredientes funcionais.

    Referência ABNT:

    WANI, S. A.; KUMAR, P. Fenugreek: A review on its nutraceutical properties and utilization in various food products. Journal of the Saudi Society of Agricultural Sciences, v. 17, p. 97–106, 2018. DOI: 10.1016/j.jssas.2016.01.007.


    Prévia do Artigo

    O artigo “Effect of processing techniques on nutritional composition and antioxidant activity of fenugreek (Trigonella foenum-graecum) seed flour”, publicado em 2015 no periódico Journal of Food Science and Technology (India), foi desenvolvido por Hemlata Pandey e Pratima Awasthi, da G.B. Pant University of Agriculture and Technology (Uttarakhand, Índia). O estudo investigou o impacto de diferentes métodos de processamento — imersão (soaking), germinação (germination) e torrefação (roasting) — sobre a composição nutricional, os fatores antinutricionais, o conteúdo fenólico e a atividade antioxidante da farinha de sementes de feno-grego (Trigonella foenum-graecum).

    A pesquisa busca compreender como esses tratamentos podem melhorar o valor funcional e terapêutico das sementes, tornando-as mais adequadas para uso em alimentos funcionais e dietéticos voltados à prevenção de diabetes, dislipidemias e doenças metabólicas.

     

    Introdução

    O feno-grego (Trigonella foenum-graecum L.) é uma leguminosa de uso tradicional na Índia, no Oriente Médio e no norte da África, amplamente empregada como condimento e planta medicinal. Suas sementes são ricas em proteína (25%), fibra dietética (48%), lisina, triptofano, saponinas e mucilagem, que contribuem para suas propriedades hipoglicemiantes, hipocolesterolêmicas e antioxidantes. No entanto, o sabor amargo devido às saponinas limita sua aceitação alimentar, motivando o estudo de técnicas de processamento que reduzam a amargura e melhorem suas propriedades nutricionais e sensoriais.

    O trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos da imersão, germinação e torrefação sobre a composição química, digestibilidade proteica e amilásica, conteúdo fenólico, atividade antioxidante e fatores antinutricionais (fitatos) das sementes de feno-grego.

     

    Metodologia

    As sementes (variedade Pusa Early Bunching) foram submetidas a três tratamentos:

    ·         Imersão (Soaking): 50 g de sementes foram mergulhadas em água destilada (1:5 p/v) por 12 horas, com troca de água a cada 6 horas, seguidas de secagem em estufa a 40 °C.

    ·         Germinação (Germination): sementes foram embebidas em água por 12 h, germinadas em pano úmido a 27 ± 2 °C por 24 h e secas a 40 °C.

    ·         Torrefação (Roasting): 50 g de sementes foram torradas em panela aberta a 130 ± 5 °C por 7 min, com agitação constante até coloração levemente marrom e aroma característico.

    As amostras (cruas e processadas) foram moídas e analisadas quanto à umidade, cinzas, proteínas, lipídios, fibras, minerais (Ca, P, Fe, Zn), fitato, digestibilidade in vitro de amido e proteína, fenóis totais e atividade antioxidante (método DPPH).

     

    Principais Resultados

    Parâmetro

    Crua

    Imersa

    Germinada

    Torrada

    Proteína (%)

    32,7

    35,1

    41,2

    36,8

    Fibra Dietética Total (%)

    45,4

    41,7

    31,3

    40,9

    Fenóis Totais (mg GAE/g)

    45,4

    54,4

    80,8

    48,5

    Atividade Antioxidante (%)

    18,1

    60,7

    73,9

    32,0

    Fitato (mg/100g)

    552,3

    504,2

    308,7

    327,1

    Digestibilidade proteica (%)

    48,6

    57,4

    63,0

    55,8

     

    Imersão (Soaking):

    ·         Aumentou a proteína (de 32,7 → 35,1%) e reduziu o teor de gordura (4,8 → 4,6%).

    ·         Reduziu o conteúdo de fitato em 9% e aumentou a digestibilidade proteica e amilásica.

    ·         Elevou o teor de fenóis (de 45,4 → 54,4 mg GAE/g) e aumentou expressivamente a atividade antioxidante (de 18,1 → 60,7%).

    ·         Ocorreu leve perda de minerais por lixiviação (Ca e Zn).

    Germinação (Germination):

    ·         Promoveu maior incremento proteico (41,2%) e aumento de fibras estruturais.

    ·         Reduziu o fitato em 44% (de 552,3 → 308,7 mg/100 g), devido à ativação de fitases e fosfatases.

    ·         Elevou drasticamente o conteúdo fenólico (80,8 mg GAE/g) e a atividade antioxidante (73,9%).

    ·         Melhorou significativamente a digestibilidade proteica e amilásica.

    ·         O aumento de Ca e P sugere maior biodisponibilidade mineral.

    Torrefação (Roasting):

    ·         Reduziu o teor de gordura (por volatilização de óleos e degradação de ácidos graxos), mantendo boa retenção de proteína (36,8%).

    ·         Diminuíram as fibras solúveis e insolúveis, mas houve melhora na digestibilidade e leve aumento do conteúdo fenólico e antioxidante.

    ·         Fitato caiu para 327,1 mg/100 g, evidenciando redução térmica dos fatores antinutricionais.

    Discussão

    As três técnicas apresentaram efeitos benéficos sobre o valor nutricional e funcional das sementes.

    ·         A germinação foi a mais eficaz, promovendo aumento de proteína, digestibilidade e atividade antioxidante, além de redução de fitato.

    ·         A imersão foi eficiente na redução da amargura e no aumento do teor de compostos fenólicos.

    ·         A torrefação, embora menos expressiva em termos de compostos bioativos, contribuiu para melhor sabor e aroma, tornando a farinha mais aceitável sensorialmente.

    Esses resultados confirmam que o processamento melhora o aproveitamento nutricional e funcional do feno-grego, abrindo caminho para o desenvolvimento de alimentos funcionais e nutracêuticos destinados à prevenção de doenças metabólicas.

     

    Conclusões

    O estudo conclui que o processamento (imersão, germinação e torrefação) melhora substancialmente as características nutricionais e funcionais da farinha de feno-grego, especialmente pela redução dos compostos antinutricionais e incremento dos fenóis e da atividade antioxidante. Esses tratamentos tornam a semente mais adequada ao consumo humano, viabilizando sua aplicação em dietas terapêuticas, funcionais e produtos enriquecidos com fibra e proteína vegetal.

    Palavras-chave:

    Feno-grego; Germinação; Torrefação; Antioxidante; Fitato; Digestibilidade; Processamento; Sementes Funcionais; Trigonella foenum-graecum.

    Referência ABNT:

    PANDEY, H.; AWASTHI, P. Effect of processing techniques on nutritional composition and antioxidant activity of fenugreek (Trigonella foenum-graecum) seed flour. Journal of Food Science and Technology, v. 52, n. 2, p. 1054–1060, fev. 2015. DOI: 10.1007/s13197-013-1057-0.


    Prévia do artigo

    O artigo “The multifaceted potential of fenugreek seeds: From health benefits to food and nanotechnology applications” (FAISAL et al., 2024) apresenta uma revisão científica abrangente sobre as sementes de feno-grego (Trigonella foenum-graecum), uma planta medicinal milenar amplamente estudada devido ao seu valor nutricional e terapêutico. A pesquisa destaca sua composição química rica em proteínas, fibras, compostos fenólicos e saponinas, abordando seus múltiplos efeitos biológicos — antioxidante, antidiabético, antiobesidade, hipocolesterolêmico, anticancerígeno e cardioprotetor. Além disso, o artigo evidencia o papel dessas sementes como ingrediente funcional em alimentos e sua aplicação emergente em nanotecnologia, como agente redutor e estabilizador na síntese de nanopartículas e emulsões.

    Introdução

    O feno-grego é reconhecido como uma planta antiga com propriedades medicinais utilizadas em diversas culturas. Suas sementes douradas possuem perfil nutricional variado, com destaque para proteínas, fibras, galactomanana, flavonoides e alcaloides. A FDA considera o feno-grego seguro para consumo, e suas propriedades terapêuticas incluem a regulação da glicemia e do colesterol, além de ação antioxidante e anti-inflamatória. Seu uso é comum em produtos alimentícios como espessante, emulsificante e estabilizante, devido à alta capacidade de retenção de água.

    Composição nutricional

    As sementes contêm aproximadamente 22–26% de proteínas, 58% de carboidratos, 25% de fibras e 0,9% de lipídios. Apresentam alto teor de aminoácidos essenciais, como lisina, isoleucina e histidina, que contribuem para a secreção de insulina e o valor nutricional de produtos enriquecidos. Os lipídios são compostos majoritariamente por ácidos graxos insaturados (linoleico, linolênico e oleico), o que confere benefícios cardiovasculares. A fração de fibras é rica em galactomanana, responsável por propriedades hipoglicemiantes e hipocolesterolêmicas.

    Compostos bioativos e fitoquímicos

    O feno-grego contém saponinas, flavonoides, alcaloides (trigonelina e colina) e grande quantidade de fibras solúveis e insolúveis. Esses compostos possuem ações antioxidante, antidiabética e hipocolesterolêmica. As saponinas reduzem a absorção intestinal de colesterol; os flavonoides combatem o estresse oxidativo e inflamações; e a trigonelina melhora a sensibilidade à insulina.

    Potencial terapêutico

    Os efeitos terapêuticos são amplamente documentados:

    ·         Antidiabético: A galactomanana, diosgenina e 4-hidroxiisoleucina reduzem a glicemia, aumentam a resposta insulínica e protegem as células beta pancreáticas. Estudos clínicos demonstraram reduções significativas na glicose e colesterol em pacientes diabéticos e melhora na sensibilidade à insulina.

    ·         Antioxidante: Os compostos fenólicos e flavonoides neutralizam radicais livres, reduzem a peroxidação lipídica e protegem tecidos hepáticos e cardíacos contra o estresse oxidativo. Sementes germinadas apresentam ainda maior atividade antioxidante.

    ·         Antiobesidade: As fibras solúveis promovem saciedade, reduzem a absorção de gordura e glicose, e melhoram o metabolismo lipídico e glicêmico. Estudos com extratos aquosos mostraram redução de peso corporal, leptina e lipídios séricos em animais obesos.

    ·         Hipocolesterolêmico: As saponinas e galactomananas reduzem colesterol total e LDL, além de aumentar o HDL. A ação antioxidante impede a oxidação do LDL, contribuindo para a prevenção de aterosclerose.

    ·         Anticancerígeno: A diosgenina e outras saponinas induzem apoptose e inibem a proliferação de células tumorais (como de cólon e mama). O feno-grego também atua como coadjuvante na quimioterapia, reduzindo efeitos colaterais oxidativos.

    ·         Cardioprotetor: O consumo regular reduz colesterol, triglicerídeos e LDL, aumentando o HDL e protegendo o miocárdio contra estresse oxidativo e apoptose celular.

    Aplicações alimentares

    O feno-grego e seus derivados, especialmente a goma e a galactomanana, têm ampla aplicação na indústria alimentícia:

    ·         Panificação: Melhora textura, reduz absorção de óleo e retarda o envelhecimento de pães e bolos.

    ·         Carnes processadas: Atua como estabilizante e aglutinante, aumentando a suculência e estabilidade.

    ·         Bebidas e laticínios: Controla viscosidade, estabiliza produtos congelados (sorvetes) e aumenta o valor nutricional de iogurtes e queijos.

    ·         Outros produtos: Utilizado em massas sem glúten, cereais, molhos e sobremesas, melhorando características funcionais e sensoriais. O óleo de feno-grego, com propriedades antimicrobianas, também é empregado em filmes comestíveis e como conservante natural.

    Aplicações em nanotecnologia

    O artigo destaca o potencial inovador das sementes no campo da nanotecnologia:

    ·         Síntese de nanopartículas: Extratos de feno-grego atuam como agentes redutores e estabilizadores na produção de nanopartículas de prata, ouro, ferro e óxido de zinco, com propriedades antimicrobianas e biocompatíveis.

    ·         Encapsulamento e nanoemulsões: O óleo de feno-grego encapsulado com maltodextrina ou mucilagem reduz o sabor amargo, aumenta a estabilidade oxidativa e melhora a biodisponibilidade de compostos bioativos.

    ·         Filmes e embalagens comestíveis: Misturas de mucilagem de feno-grego e amidos vegetais originam filmes biodegradáveis e antimicrobianos, aplicáveis como revestimentos de alimentos.

    Conclusão

    O feno-grego é uma planta multifuncional com relevância crescente nas áreas de nutrição, farmacologia e nanotecnologia. Seus compostos bioativos apresentam efeitos significativos na prevenção e tratamento de doenças metabólicas e crônicas, além de aplicações tecnológicas promissoras em alimentos e embalagens sustentáveis. A pesquisa reforça o potencial das sementes de feno-grego como recurso natural de alto valor agregado para inovação em saúde e alimentos funcionais.

    Referência (ABNT):

     FAISAL, Zargham et al. The multifaceted potential of fenugreek seeds: From health benefits to food and nanotechnology applications. Food Science & Nutrition, v. 12, p. 2294–2310, 2024. DOI: 10.1002/fsn3.3959. Disponível em: https://wileyonlinelibrary.com/journal/fsn3. Acesso em: 13 out. 2025.


    Prévia do artigo

    O artigo “Fenugreek and Its Effects on Muscle Performance: A Systematic Review” (ALBAKER, 2023) apresenta uma revisão sistemática detalhada sobre os efeitos do feno-grego (Trigonella foenum-graecum Linn) no desempenho muscular, composição corporal e recuperação pós-exercício. O estudo sintetiza evidências científicas obtidas de ensaios clínicos randomizados (RCTs) que investigaram a suplementação com extratos ou frações do feno-grego em praticantes de exercícios e atletas. Além de analisar seus potenciais ergogênicos, o trabalho discute mecanismos hormonais e metabólicos envolvidos — como o aumento da testosterona livre, absorção de creatina e ressíntese de glicogênio muscular — e aborda a segurança, limitações metodológicas e possíveis riscos de uso indevido em esportes de alta performance.

    Introdução

    O feno-grego é uma leguminosa da família Fabaceae, rica em compostos bioativos como saponinas esteroidais, flavonoides, alcaloides, fibras e aminoácidos. Tradicionalmente utilizado como erva medicinal e especiaria, tem demonstrado efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antidiabéticos, hipocolesterolêmicos e ergogênicos. Estudos recentes indicam que o feno-grego pode melhorar o desempenho físico e a recuperação muscular devido à sua influência sobre o metabolismo energético e hormonal, especialmente sobre a testosterona e o glicogênio muscular. Assim, esta revisão buscou atualizar as evidências científicas sobre os efeitos do feno-grego em parâmetros de desempenho muscular, composição corporal e recuperação pós-exercício.

    Materiais e métodos

    A pesquisa seguiu as diretrizes do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) e foi registrada na plataforma INPLASY (nº INPLASY202320089). Foram realizadas buscas nas bases PubMed/MEDLINE e Google Scholar entre maio de 1981 e maio de 2021, com palavras-chave relacionadas a “fenugreek”, “muscle”, “exercise” e “sport”. Foram incluídos apenas ensaios clínicos randomizados (RCTs) que avaliaram os efeitos do feno-grego isolado em parâmetros de desempenho físico e recuperação. Foram excluídos estudos in vitro, com animais, revisões e combinações com outras ervas. A qualidade dos estudos foi avaliada pelo método de Hayden et al., que considera seis critérios (tamanho e representatividade da amostra, controle de fatores de confusão, definição do fator de interesse, perdas amostrais, adequação da análise estatística e clareza na mensuração dos desfechos).

    Resultados

    Das 81 publicações inicialmente encontradas, apenas seis RCTs preencheram os critérios de inclusão. A maioria foi conduzida nos EUA e envolveu homens jovens submetidos a programas de treinamento resistido, com duração entre 2 horas e 8 semanas. As doses de feno-grego variaram de 300 mg a 900 mg por dia, dependendo do tipo de extrato (semente, fração glicósida ou fibra solúvel).

    Principais achados

    Desempenho muscular: quatro dos seis RCTs relataram melhoras significativas em força máxima (1 RM no supino e leg press), resistência muscular (repetições até a falha), massa magra e redução de gordura corporal.

    Composição corporal: suplementação com 500 mg/dia de extrato de feno-grego por 8 semanas aumentou a massa magra e reduziu o percentual de gordura em comparação ao placebo, sem efeitos adversos clínicos.

    Combinação com creatina: o uso de 900 mg de extrato de feno-grego + 3,5 g de creatina mostrou resultados equivalentes à suplementação tradicional de creatina + 70 g de dextrose, indicando que o feno-grego pode melhorar a captação muscular de creatina sem necessidade de altas doses de carboidratos.

    Endurance e recuperação: o uso de fibra solúvel de feno-grego (300 mg/dia por 28 dias) aumentou o desempenho submáximo e retardou a fadiga. Um estudo relatou aumento na taxa de ressíntese de glicogênio muscular pós-exercício, enquanto outro não observou diferenças, ambos com amostras pequenas.

    Hormônios anabólicos: o feno-grego mostrou potencial de aumentar a testosterona livre sem alterar níveis séricos de cortisol, estradiol ou enzimas hepáticas e renais, sugerindo efeito anabólico e seguro.

    Discussão

    Os resultados indicam que o feno-grego atua como agente ergogênico natural, melhorando força, resistência e composição corporal, possivelmente por:

    Efeito anabólico e androgênico: devido à presença de saponinas e sapogeninas (como a diosgenina e protodioscina), que inibem as enzimas 5-alfa-redutase e aromatase, aumentando a testosterona livre e a síntese proteica.

    Aumento da absorção de creatina: o extrato parece favorecer a captação muscular de creatina, potencializando a regeneração de ATP sem sobrecarga de carboidratos.

    Estimulação da ressíntese de glicogênio: em alguns estudos, o feno-grego associado à glicose acelerou a reposição de glicogênio muscular após o exercício, favorecendo a recuperação.

    Ação anti-inflamatória e antioxidante: compostos como 4-hidroxiisoleucina e flavonoides reduzem o estresse oxidativo e a inflamação pós-treino.

    Apesar dos resultados promissores, as limitações incluem amostras pequenas, curta duração dos estudos e predominância de participantes do sexo masculino. O autor recomenda ampliar a pesquisa com diferentes doses, tipos de extrato e inclusão de mulheres e atletas de elite.

    Conclusões

    O artigo conclui que os extratos de feno-grego:

    ·         Aumentam a força muscular, a resistência e a massa magra;

    ·         Reduzem a gordura corporal;

    ·         Aceleram a ressíntese de glicogênio pós-exercício;

    ·         Exercem ação anabólica e ergogênica, com bom perfil de segurança.

    Ainda assim, o uso esportivo deve ser acompanhado de cautela quanto a possíveis contaminações com substâncias dopantes e efeitos hepato e nefrotóxicos em consumo excessivo. O feno-grego, portanto, surge como um suplemento promissor para atletas, mas requer maior padronização e comprovação clínica para uso seguro e eficaz.

    Referência (ABNT):

     ALBAKER, Waleed I. Fenugreek and Its Effects on Muscle Performance: A Systematic Review. Journal of Personalized Medicine, v. 13, n. 3, p. 427, 2023. DOI:https://doi.org/10.3390/jpm13030427. Disponível em: https://www.mdpi.com/journal/jpm. Acesso em: 13 out. 2025.